E a vida insiste em me pregar peças!
Porque desde criancinha eu adorava e saía gritando
a plenos pulmões quando tocava “Não deixa o samba morrer, não deixa o samba
acabar! O morro foi feito de samba, de samba para gente sambar!” na voz da
Alcione; e sambando, é claro, porque nasci com um pézinho na senzala quando o
assunto é samba, só me falta mesmo a melanina. Então, não é a toa que ainda
hoje saio cantarolando em qualquer ocasião, e mais ainda: já virou motivo de piada
com os amigos (né Naty?) e serve um pouco como a minha música na família (né
Cristininha?).
Daí que eu entrei na faculdade. E você me pergunta:
o que tem haver? Calma, que eu te explico. Em menos de um mês de Cásper Líbero
eu já sabia o que era, e podia sentir muito forte o amor vermelho e branco; já
no trote, eu cantei e pulei o Horto Mágico ao som da Bateria da Cásper, não
porque eu esteja sempre bêbada, mas porque eu, enfim, era casperiana. Porque
quem faz Cásper não vai pra faculdade, vai pra CÁSPER. Porque quem faz Cásper
não é estudante da Cásper Líbero, é CASPERIANO.
Então, bem lá no fundinho, eu sempre nutri aquele
amor pelo samba, e agora havia outro amor! Isso mesmo, e eu fui tentando
esconder, de mim mesma, a vontade iminente de ser parte daquela batucada linda,
que só brilhava: da Bateria da Cásper, a que me animava a cada festa, a cada vídeo
compartilhado no Facebook; e a mesma que me deixava indignada por ser tão pouco
valorizada dentro da faculdade.
Passada metade do meu curso, lá no comecinho do meu
terceiro ano de Cásper... Eu, finalmente, decidi aparecer no primeiro ensaio do
ano da Bateria, que por sinal, foi ensaio pré Cervejada dos Bixos de 2012. Lá
fui eu com aquela vergonha bem no fundinho por não ser mais bixete (há muito
tempo) e estar caindo ali de paraquedas.
A cada sinalzinho daquele que o mestre, que até
hoje eu não sei por que é apelidado Tieta, fazia, eu entendia menos ainda. Mas
escolher um instrumento não foi difícil. E quem diria? O meu santo bateu, e
bateu forte, com o daquela menina que eu sempre achei “exótica”, que sempre
andava com umas roupas diferentes, mas que hoje é uma das grandes amigas que a
Bateria me deu (e não a única).
A cada sábado de ensaio, eu tinha certeza que
estava no lugar certo, por mais que tocar repinique decentemente estivesse difícil:
agora eu seria parte da Bateria da Cásper! Aquela que me animou, agora seria
animada também por mim. Aquela que eu achava um absurdo ser tão deixada de lado
pelas outras instituições da faculdade, sem apoio nenhum, agora seria apoiada
também por mim. Agora eu passaria a ter compromisso todo sábado, a acordar mais
cedo, e a voltar menos pra minha cidade, mas de alguma forma eu sabia que ia
valer a pena. E a certeza veio no JUCA. Passar quatro dias no sufoco por
cansaço, banho, comida, foi bem mais divertido, e mais uma vez, e mais do que
nunca: uma prova de união. É... o samba que eu sempre amei, agora havia me dado
uma nova família. Uma família como todas as outras: cheia de brigas, estresses,
mas cheeeeeeeeeeia de amor.
Daí que a cada risada eu fui, aos poucos,
reconhecendo irmãos dentro dessa família. Naqueles com os quais eu sempre
estava, com os quais eu mais ria, eu descobri uma gama infinita de afinidades,
e hoje a gente tem a nossa turma. A turma mais maliciosa (não no sentido
libidinoso da palavra) que essa Bateria já viu.
E porque Turma da Malícia?
Porque a gente é malicioso, oras. Vemos fofoca e babado em tudo, além de que:
com o nosso jeitinho todo único de ser, a gente vai conseguindo o que quer, e
fazendo com que tudo seja sempre um pouquinho melhor pra todo mundo. Somos seis
pessoas que se uniram sem nem perceber, na maior brincadeira dos últimos
tempos, e que hoje, não passam, basicamente, um dia sem se falar e rir muito
juntos (ou não).
Isso é ser da Bateria da Cásper. É ser guerreiro
pra conseguir tocar um instrumento de percussão, quando você nem mesmo havia
pegado num desses (porque a maioria dos ritmistas entra sem saber nada). É quando
você menos espera perceber que não vive mais sem todas aquelas pessoas (sem
tirar, nem pôr), por mais péssimas, chatas, e todos os adjetivos ruins que elas
sejam. É acordar cedo num sábado, pra carregar instrumento pesado, atravessar a
cidade, mas mesmo assim levar um sorriso no rosto, amor no coração e samba no
pé. É mesmo com todas as partes ruins, defender o nome, a camiseta, e fazer o
possível, e às vezes o impossível, para que a Batucada não acabe, afinal, o
samba não pode morrer. É ser sempre mais Cásper, querer queimar a Maria Antônia
e estar sempre pronto para o primeiro UM-E...
“...tenho certeza que você vai se amarrar!
Eu sou o samba, tenho certeza que você vai se
entregar pra mim.”
Mais que amarrada, e entregue.

