sexta-feira, 29 de março de 2013

“Eu sou o samba...”


E a vida insiste em me pregar peças!
Porque desde criancinha eu adorava e saía gritando a plenos pulmões quando tocava “Não deixa o samba morrer, não deixa o samba acabar! O morro foi feito de samba, de samba para gente sambar!” na voz da Alcione; e sambando, é claro, porque nasci com um pézinho na senzala quando o assunto é samba, só me falta mesmo a melanina. Então, não é a toa que ainda hoje saio cantarolando em qualquer ocasião, e mais ainda: já virou motivo de piada com os amigos (né Naty?) e serve um pouco como a minha música na família (né Cristininha?).

Daí que eu entrei na faculdade. E você me pergunta: o que tem haver? Calma, que eu te explico. Em menos de um mês de Cásper Líbero eu já sabia o que era, e podia sentir muito forte o amor vermelho e branco; já no trote, eu cantei e pulei o Horto Mágico ao som da Bateria da Cásper, não porque eu esteja sempre bêbada, mas porque eu, enfim, era casperiana. Porque quem faz Cásper não vai pra faculdade, vai pra CÁSPER. Porque quem faz Cásper não é estudante da Cásper Líbero, é CASPERIANO.

Então, bem lá no fundinho, eu sempre nutri aquele amor pelo samba, e agora havia outro amor! Isso mesmo, e eu fui tentando esconder, de mim mesma, a vontade iminente de ser parte daquela batucada linda, que só brilhava: da Bateria da Cásper, a que me animava a cada festa, a cada vídeo compartilhado no Facebook; e a mesma que me deixava indignada por ser tão pouco valorizada dentro da faculdade.

Passada metade do meu curso, lá no comecinho do meu terceiro ano de Cásper... Eu, finalmente, decidi aparecer no primeiro ensaio do ano da Bateria, que por sinal, foi ensaio pré Cervejada dos Bixos de 2012. Lá fui eu com aquela vergonha bem no fundinho por não ser mais bixete (há muito tempo) e estar caindo ali de paraquedas.

A cada sinalzinho daquele que o mestre, que até hoje eu não sei por que é apelidado Tieta, fazia, eu entendia menos ainda. Mas escolher um instrumento não foi difícil. E quem diria? O meu santo bateu, e bateu forte, com o daquela menina que eu sempre achei “exótica”, que sempre andava com umas roupas diferentes, mas que hoje é uma das grandes amigas que a Bateria me deu (e não a única).

A cada sábado de ensaio, eu tinha certeza que estava no lugar certo, por mais que tocar repinique decentemente estivesse difícil: agora eu seria parte da Bateria da Cásper! Aquela que me animou, agora seria animada também por mim. Aquela que eu achava um absurdo ser tão deixada de lado pelas outras instituições da faculdade, sem apoio nenhum, agora seria apoiada também por mim. Agora eu passaria a ter compromisso todo sábado, a acordar mais cedo, e a voltar menos pra minha cidade, mas de alguma forma eu sabia que ia valer a pena. E a certeza veio no JUCA. Passar quatro dias no sufoco por cansaço, banho, comida, foi bem mais divertido, e mais uma vez, e mais do que nunca: uma prova de união. É... o samba que eu sempre amei, agora havia me dado uma nova família. Uma família como todas as outras: cheia de brigas, estresses, mas cheeeeeeeeeeia de amor.

Daí que a cada risada eu fui, aos poucos, reconhecendo irmãos dentro dessa família. Naqueles com os quais eu sempre estava, com os quais eu mais ria, eu descobri uma gama infinita de afinidades, e hoje a gente tem a nossa turma. A turma mais maliciosa (não no sentido libidinoso da palavra) que essa Bateria já viu.

E porque Turma da Malícia? Porque a gente é malicioso, oras. Vemos fofoca e babado em tudo, além de que: com o nosso jeitinho todo único de ser, a gente vai conseguindo o que quer, e fazendo com que tudo seja sempre um pouquinho melhor pra todo mundo. Somos seis pessoas que se uniram sem nem perceber, na maior brincadeira dos últimos tempos, e que hoje, não passam, basicamente, um dia sem se falar e rir muito juntos (ou não).

Isso é ser da Bateria da Cásper. É ser guerreiro pra conseguir tocar um instrumento de percussão, quando você nem mesmo havia pegado num desses (porque a maioria dos ritmistas entra sem saber nada). É quando você menos espera perceber que não vive mais sem todas aquelas pessoas (sem tirar, nem pôr), por mais péssimas, chatas, e todos os adjetivos ruins que elas sejam. É acordar cedo num sábado, pra carregar instrumento pesado, atravessar a cidade, mas mesmo assim levar um sorriso no rosto, amor no coração e samba no pé. É mesmo com todas as partes ruins, defender o nome, a camiseta, e fazer o possível, e às vezes o impossível, para que a Batucada não acabe, afinal, o samba não pode morrer. É ser sempre mais Cásper, querer queimar a Maria Antônia e estar sempre pronto para o primeiro UM-E...

“...tenho certeza que você vai se amarrar!
Eu sou o samba, tenho certeza que você vai se entregar pra mim.”

Mais que amarrada, e entregue.