Diferente do que venho me propondo a fazer aqui no blog, dessa vez eu vim contar algumas coisas bastante pessoais, pra deixar tudo contextualizado e pronto pro que vai acontecer nos próximos capítulos. Mais do que isso...esse blog nunca foi tão alimentado quanto nos últimos dias (a não ser lááá em 2010, saudades primeiro ano da faculdade...), enfim: chegou a hora de vocês entenderem a porra toda. o/
A história começa lá em 2013: quando eu, minha mãe e minha irmã resolvemos entrar num avião e ir passar as festas de fim de ano com a outra irmã lá na Zoropa. Sim, papai ficou sozinho aqui, mas ele adorou, sabem porque? Ceiou com a gente, ou seja: lá já era Natal/Ano Novo, mas aqui ainda eram sete da noite e, o bichinho adora dormir cedo. Mas eu não vim aqui fazer um diário de bordo...vim pra dizer que essa viagem separou algumas águas no meio do caminho.
Bom, eu comecei o novo ano acreditando, piamente, que seria o melhor ano da minha vida: "Eu passei o Ano Novo em Paris, olhando pr'aquela Torre Eiffel, não tem como isso dar errado." Era assim que eu tava pensando...e além disso, a viagem como um todo havia sido incrível, não só Paris! Todas as cidadezinhas da Suíça, da Alemanha, cada caminhada por Basel ou cada risada ao lado das mulheres da minha vida. Eu realmente tinha TUDO pra acreditar que 2014 estava vindo quente e era pra eu esperar fervendo.
Só que eu entrei em ebulição rápido demais e, o ano, ou a vida, não conseguiram acompanhar o meu ritmo. Tudo começou a sair do trilho. A incerteza e o descontentamento ganharam espaço no meu dia-dia, na minha cama, na minha mesa do café da manhã ou do jantar. Eu tinha mais de mil coisas na cabeça e, queria resolver todas, ao mesmo tempo e logo, pra ontem. A angústia era enorme, mas o detalhe é que eu não sabia por onde começar, nem como começar e nem se eu deveria, de fato, começar alguma coisa. Talvez fosse só uma fase, aquilo fosse passar e, fosse melhor eu me aquietar e me acomodar de volta a minha vida, né?
Até hoje eu não sei a resposta dessa pergunta.
Em abril, a gota que faltava pro copo, chamado Patrícia, transbordar...caiu da torneira. O mundo e a vida pareciam um lixo, eu só sabia chorar, mas de um dia pro outro, tudo o que eu havia pensado, lá em janeiro, em Paris, olhando pra Torre e passeando pela Champs Elysées voltou a fazer sentido.
A vida tinha entrado em ebulição também, ao que me parecia e, na verdade, esse é o real motivo desse post.
Vou ser um pouco exagerada, mas quem me conhece mesmo e conhece toda essa história mais de perto, sabe que é um pouco verdade: o mundo, a vida, minha família, meu chefe, ou seja, o universo e o cosmos resolveram me dar uma nova chance de fazer, SIM, com que 2014 seja foda pra caralho. Como? Voltando pra onde tudo começou.
Hoje, isso mesmo, HOJE, SÁBADO, 05 DE JULHO DE 2014, eu embarco para a Europa. Minha passagem é pra três meses e o objetivo? São vários, afinal minha lição é salvar o ano. O primeiro deles: perder a vergonha de falar inglês, afinal já estava mais do que na hora. Perder a vergonha, de maneira geral. Conhecer pessoas do mundo todo, fazer amizades, sair com pessoas que nunca vi na vida e, que talvez nunca mais vá ver, mas que naquele dia, naquela cidade e naquele hostel, serão minhas melhores amigas, obrigada. Passar perregues, sozinha. Me perder, sozinha. Me achar e me virar, sozinha. Me emocionar quando entrar no Vaticano, por exemplo. Rir quando um pombo defecar na minha camiseta preferida em Veneza. Refletir.
Ou seja, o grande aprendizado da viagem, sem mesmo ter ido, é que: pra aprender eu não preciso de visto e nem de uma matrícula numa escola lá no exterior. O aprendizado ao qual estou me propondo é outro, realmente diferente do que a maioria das pessoas se propõe a adquirir lá fora, ele vai além do estudo e do idioma: é o aprendizado do viver.
De me conhecer, de pensar no que eu quero, nos meus objetivos e de me tornar uma Patrícia melhor, em diversos, se não em todos os sentidos. Em outubro, na teoria, porque tudo pode acontecer, com certeza eu vou ser outra mulher. Fisicamente, emocionalmente, espiritualmente e psicologicamente, no mínimo.
Mais de uma dezena de países e três meses longe de toda essa loucura daqui podem ser considerados como minhas férias sabáticas.
E vocês podem me perguntar: precisa ir pra Europa pra fazer tudo isso? Minha resposta, querido ou querida, é: tente se DISPOR a realizar tudo isso no mar revolto da sua rotina...depois me conta o resultado. Antes disso, eu queria dizer que o sabor da aventura e do desafio são os temperos especiais desse prato típico.
Enfim, eu volto. Eu volto com uma carga cultural e muitas experiências pra contar aqui. Não vou tentar, como fiz em Buenos Aires, fazer um post por dia, mas pelo menos um por mês de viagem, vocês podem esperar. =)
É...Finalmente eu e a vida nos encontramos no ponto de equilíbrio e eu vou ali, antes que eu perca o avião!
E.T.: Quem quiser acompanhar as fotos, roteiros e curiosidades da trip mais de perto, é só ficar de olho no Instagram e/ou Facebook.
Mil beijos! @pattyamoraes